segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

JÓ - O HOMEM MAIS ÍNTEGRO DA TERRA

Seminarista Marcelo Seião

INTRODUÇÃO:

Infelizmente, nos dias de hoje, devido à ampla divulgação da teologia da prosperidade, a vida de Jó parece atender aos apelativos dessa teologia: ficar rico é a prova cabal do derramamento das mais ricas e abundantes bênçãos dos céus.

Não estou, aqui, querendo dizer que Deus não abençoa os seus servos financeiramente e nem mesmo que riqueza é sinônimo de pecado. Estou só afirmando que a benção de Deus não se restringe apenas a posses materiais.

Em verdade, Jó reconhecia que tudo o que ele tinha vinha do Senhor (Jó 1.20-22). E mais! Jó compreendia perfeitamente que o mais importante na vida daquele que foi abençoado financeiramente não é o quanto ele tem e pode multiplicar, mas o bem que deve ser feito com o muito que Deus lhe deu (Jó 31.1-40).

Dessa forma, vale lembrar que a bênção financeira tem dois fios que fazem parte do mesmo tecido. O primeiro fio é a alegria de ser abençoado e poder desfrutar e proporcionar à família o que há de melhor nessa vida: boa comida, boa moradia e boas roupas. O segundo fio, por sua vez, é a grande responsabilidade de ter de partilhar dessa bênção com os menos afortunados, não permitindo que o egoísmo, orgulho e avareza achem lugar para se instalarem. (Leia os textos a seguir: 1 Timóteo 6.6-10;17-18; Tiago 1.9-11).

Entretanto, nesse livro, somos confrontados com outra verdade impactante: “ninguém há na terra semelhante a ele”, disse Deus (Jó 1.8; 2.3). Ou seja, a maior riqueza de Jó não era o que ele possuía, mas quem ele era diante de Deus: “homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal”. (Jó 1.1; 1.8; 2.3).

Assim sendo, podemos facilmente observar que nem no livro de Jó e em nenhum outro lugar das Escrituras Deus elogia as suas posses; antes, porém, Deus aprova com louvor o seu caráter, retidão e paciência (Jó 1.1; 1.8; 2.3; Ez 14.14 e 20; Tiago 5.11).

Por essa razão, nesse estudo gostaria de fazer uma apreciação da retidão e da justiça de Jó, pois ele REPRESENTA O QUE HÁ DE MELHOR NA HUMANIDADE.

1 – SUA POSTURA NA HORA DA DOR:

a) Postura de adorador: Jó 1.21-22.

b) Postura de servo humilde: Jó 2.9-10.

c) Postura perseverante: Jó 27.2-6.


2 – SUA CONSCIÊNCIA DIANTE DE DEUS:

a) Consciência limpa: Jó 27.5-6.


3 – SUAS OBRAS:

a) Era um chefe de família comprometido com o seu lar (sacerdote no lar): Jó 1.5.

b) Orava e era respondido: Jó 12.4b.

c) Não cobiçava mulheres jovens: Jó 31.1.

d) Não era falso e nem enganador: Jó 31.5.

e) Ele era seguro de sua integridade: Jó 31.6.

f) Ele não se desviava dos caminhos revelados pelo Senhor: Jó 31.7; Jó 23.11.

g) Ele não cobiçava a mulher do próximo: Jó 31.9. (Ver também: Êx 20.14; Pv 6.20-7.27).

h) Era um bom patrão e não fazia acepção de pessoas: Jó 31.13-15.

i) Ajudava os necessitados (pobres, orfãos, viúvas, cegos e coxos): Jó 31.16-23. (Ver também Jó 29.12-16).

j) Não punha nas riquezas a sua esperança: Jó 31.24.

l) Não era orgulhoso por ter muitos bens: Jó 31.25.

m) Não era idólatra e/ou sincretista: Jó 31.26-28.

n) Não se alegrava com a desgraça de seus inimigos: Jó 31.29-30.

o) Era hospitaleiro: Jó 31.31-32.

p) Confessava os seus pecados: Jó 31.33.

q) Era bom pagador: Jó 31.38-40.

(Veja também: Jó 29.12-17.)


4 – SEU PRESTÍGIO NA COMUNIDADE:

a) Era respeitado pelos moços e idosos: Jó 29.7-8.

b) Era respeitado pelos príncipes e nobres: Jó 29.9-10.

c) Era respeitado por todos os que o ouviam: Jó 29.11-13; 21-25.


CONCLUSÃO

Como já disse no início, tristemente muitos pregadores só se focam nas posses de Jó ou no momento em que Deus restaura a sua sorte, mas se esquecem de que Deus usou seus familiares, amigos e aqueles que comeram em sua casa para abençoá-lo (Jó 42. 11-12). Ou seja, Jó foi alvo da mesma generosidade que usava com todos os necessitados (Ec 11.1-2). Ou melhor, ele experimentou o que o Novo Testamento chama de koinonia (leia a definição no final do estudo).

Ora, por motivos bem óbvios, esses pregadores só falam sobre as riquezas de Jó, porque são vaidosos, gananciosos, avarentos e ambiciosos - "a boca fala do que está cheio o coração"(Mt 12.34). Querem ser ricos, desfrutar do luxo, do bom e do melhor, mas não querem se comprometer com Deus e com a sua Lei (Lv 25. 35-38; Dt 15.7-11; Mt 25.31-46). Tente convidar um desses pregadores para pregar na sua Igreja, aí você saberá quanto é o cachê que eles cobram.

"RIQUEZA É UMA DAS BÊNÇÃOS QUE NOS TRAZ AS MAIORES RESPONSABILIDADES".

Diante do que lemos sobre Jó, poderíamos dizer que, assim como a mulher virtuosa é descrita no capítulo 31, do verso 10 ao 31, do livro de Provérbios, o capítulo 31 do livro de Jó apresenta o caráter do homem virtuoso – e Jó é esse homem. (Uma dica: leia o estudo sobre a mulher virtuosa no blog e compare).

Jó era muito mais que um mero homem rico; ele era o homem mais reto da Terra, pois temia verdadeiramente o seu Deus e Senhor; ele era um servo leal. Sua justiça e bondade eram refletidas em todos os seus atos. Jó era comprometido com a sua pureza pessoal, tanto na vida social como na familiar. Além disso, este homem de Deus só confiava no Senhor e não se apoiava nas riquezas que tinha.

Por essa razão, esse servo fiel teve a maior de todas as bênçãos – a admiração do Senhor. Esse é um dos grandes ensinamentos que aprendemos ao perlustramos as páginas marcantes do livro de Jó: melhor do que possuir prestígio na comunidade é ter o caráter admirado e aprovado pelo Senhor. Melhor do que comer e beber do bom e do melhor é fazer com que outros comam e bebam para que Deus seja glorificado. Melhor do que ser um homem rico é ser próspero de atos de generosidade. Melhor do que ter muitos bens é ter a presença de Deus na vida.


KOINONIA:  1) Associação com uma pessoa, envolvendo amizade com ela e incluindo participação nos seus sentimentos, nas suas experiências e na sua vivência (1Co 1.9; 10.16; 2Co 13.13; Fp 2.1; 3.10, RA; 1Jo 1.3,6,7). 2) Relacionamento que envolve propósitos e atividades comuns; parceria (At 2.42; 2Co 6.14; Gl 2.9; Fm 6, RA).


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

SORRIA, DEUS NÃO PERDEU O CONTROLE DA SUA VIDA

Seminarista Rickson Roque
TEXTO BASE: Mateus 14.22.32


INTRODUÇÃO:

Por várias ocasiões em nossas vidas passamos por momentos de tribulação e, também, períodos que precisamos tomar decisões importantes e inimagináveis.

Infelizmente, o mundo está cheio de atrocidades horríveis e inaceitáveis que o ser humano jamais poderia pensar. A violência hoje é tão grande que virou banalidade em nosso cotidiano. Tráfico de drogas, guerras urbanas, pais que matam filhos, alunos que violentam professores e vice-versa, que se fossem todas enumeradas, escreveria um livro!

Mergulhando na história relatada em Mateus 14.22-24, percebemos que o Mestre deu alguns passos em direção de seus discípulos, quando esses estavam em meio ao “caos” da tempestade. Percebemos, também, as diferentes reações dos discípulos como resposta às provisões de Jesus. Porém, em todos os momentos, Deus tem agido em favor do homem, Ele tem provido todo amparo necessário nos momentos de fortes “tempestades”.



 1. SORRIA, VOCÊ ESTÁ SENDO FILMADO:
"Logo a seguir, compeliu Jesus os discípulos a embarcar e passar adiante dele para o outro lado, enquanto ele despedia as multidões.E, despedidas as multidões, subiu ao monte, a fim de orar sozinho. Em caindo a tarde, lá estava ele, só. Entretanto, o barco já estava longe, a muitos estádios da terra, açoitado pelas ondas; porque o vento era contrário.” (Mt 14.22-24)

Deus é onisciente, e por isso, sabe o que estamos passando e o que iremos enfrentar. Ele mesmo é quem permite que atravessemos algumas tempestades, a fim de provar o nosso coração e revelando os nossos valores intrínsecos (Mc 1.13). Se atentarmos para alguns episódios que acontecem na novela de nossas vidas, perceberemos que há um diretor de cena (Pv 21.2), aquele que está observando todo o roteiro (Sl 33.14), desenrolando todo o “script” Divino (1Tm 6.15)  para o final impactante (At 1.7).

Não há como fugir das tempestades, na verdade, não há quem já conseguiu fugir delas sem Deus e saiu ileso (Jo 15.5). Portanto, devemos nos alegrar por causa deste grande “Diretor” (Deus) que está no controle de tudo, e até mesmo das nossas reações (Sl 29.10).


2. SORRIA, VOCÊ ESTÁ SENDO CUIDADO:
Na quarta vigília da noite, foi Jesus ter com eles, andando por sobre o mar. E os discípulos, ao verem-no andando sobre as águas, ficaram aterrados e exclamaram: É um fantasma! E, tomados de medo, gritaram.” (Mt 14.25-26) 

Saber que há um Deus que está observando tudo o que se passa no mundo, nos alegra o coração, pois Seu cuidado é presente constante para com os Seus filhos (1Pe 5.7).

Se analisarmos toda a Bíblia, veremos que o cuidado de Deus com sua criação sempre foi verdadeiro e ativo. Deus cuidou de Abraão (Js 24.3), de Moisés (Ex 33.11), de Davi (2Cr 6.42) e do povo de Israel  (2Sm 5.2), porém vemos reações diferentes entre esses homens. 

Deus cuida de nossas vidas hoje também, mas espera que reajamos de acordo com Sua vontade. Precisamos nos atentar para os cuidados de Deus, mesmo nas mínimas coisas, pois por muitas vezes, inconscientemente, desprezamos o seu cuidado que é refrigério nas tribulações (Mt 11.29).


3. SORRIA, VOCÊ ESTÁ SENDO SUSTENTADO:
 Mas Jesus imediatamente lhes disse: Tende bom ânimo! Sou eu. Não temais!” (Mt 14.27).

O sustento de Deus é imediato para nós. Na verdade, em meio a tanto “caos” não conseguimos enxergar o sustento que vem do alto (Mt 4.4). A Palavra de Deus é penetrante em nossas almas, em nosso espírito, e nos faz corajosos causando, assim, alegria (Pv 10.28) em nossos corações. 

Jesus durante Seu ministério aqui na terra fez milagres para sustentar a vida de muitos. Um dia antes mesmo desta tempestade (Mt 14.17-21) Jesus alimentou mais de cinco mil pessoas com apenas cinco pães e dois peixes. Seria isso possível para o homem? Jesus proveu alimento físico naquele momento, mas o que Ele oferecia realmente era o pão Eterno (Jo 6.48), o alimento que sustentaria a vida de todos para que não mais sentissem fome.

Devemos nos alegrar em Cristo, porque Ele tem provido o nosso sustento.

4. SORRIA, VOCÊ ESTÁ SENDO DESAFIADO:
Respondendo-lhe Pedro, disse: Se és tu, Senhor, manda-me ir ter contigo, por sobre as águas. E ele disse: Vem! E Pedro, descendo do barco, andou por sobre as águas e foi ter com Jesus.” (Mt 14.28-29).

Esta passagem é interessante. Pedro cheio de temor lança um desafio para Jesus por causa da incredulidade, mas Jesus por causa de Seu poder aceita o desafio com outro desafio. 

Não é impactante a forma como Deus trata os Seus discípulos? Não podemos subestimar a Deus, Ele é poderoso para fazer maravilhas (Sl 105.2). A ordem que Jesus dá a Pedro, muitas vezes Ele faz a nós também, “Vem!

Não podemos desistir daquilo que queremos alcançar por causa das tribulações, das dificuldades, ou até mesmo por causa das tempestades. Sempre haverá aquele que irá te desanima durante a luta. Quem garante que quando Jesus disse para Pedro andar sobre as águas, os discípulos que estavam no barco não o desanimaram a ir? (Nm 32.9). 

Quando olhamos a tempestade e desviamos o foco, que é Jesus, afundamos com certeza em nossos próprios erros (Mc 12.24). Mas, quando aceitamos o desafio de Jesus, por mais mirabolante que seja, e focamos na Sua vontade (1Sm 15.22), jamais a tempestade nos vencerá.



5. SORRIA, VOCÊ ESTÁ SENDO AMADO:
Reparando, porém, na força do vento, teve medo; e, começando a submergir, gritou: Salva-me, Senhor! E, prontamente, Jesus, estendendo a mão, tomou-o e lhe disse: Homem de pequena fé, por que duvidaste?”(Mt 14.30-31). 

O amor de Deus nos constrange (Jo 3.16). No momento em que mais precisamos dEle, a Sua prontidão é eficaz (Sl 121.2). Ele nunca nos abandona, e está sempre do nosso lado esperando por nosso clamor, a fim de nos amar sem medidas (Sl 22.19). 

Pedro no momento em que estava entre a vida e a morte, gritou por socorro. Naquele momento deve ter passado um filme pela cabeça dele, todo seu orgulho deve ter se quebrado, seu coração ficou apertado de medo, sua boca não salivava, o sangue esfriou e ele ficou pálido com a força da tempestade. Mas, o texto nos mostra que ele clamou por socorro. Quantas vezes temos quebrantado nosso coração, nos momentos mais difíceis de nossas vidas, para buscar o socorro em Deus? 

Jesus Cristo por amor de todos, a si mesmo se entregou para morrer pelo nossos pecados, a fim de que fossemos salvos. A nossa consciência sabe disso, mas nossa tendência é banalisar o grande feito de Cristo (Lc 23.34). Estamos por muitas vezes, desprezando o sangue que Ele derramou na cruz do cálvário por nós, estamos desfazendo do seu sofrimento: açoites, chicotadas, coroa de espinhos, humilhação e dores na Sua própria carne. 

6. SORRIA, VOCÊ ESTÁ SENDO SOCORRIDO:
Subindo ambos para o barco, cessou o vento.” (Mt 14.32). 

Buscando o socorro de Jesus, Pedro volta para o barco e a tempestade encerra. Esse é o final da “novela” que Deus escreve para a “cena” na vida do cristão. Ele escreve o roteiro, determina os personagens e a cena, mas espera uma boa resposta do ator principal, o cristão (Fp 4.4). 

A nossa alegria vem de Deus, que está sempre provendo as nossas necessidades. Não há como descartar a possibilidade da existência de tantas tempestades que enfrentaremos (Jo 16.33), mas buscar a presença de Deus é inevitável.

Nosso grande herói está sempre pronto para quando gritamos por socorro. Não há herói como Ele (Sl 121.1). Os homens já criaram tantos heróis: Superman, Batman, The Flash, Spiderman...entre outros. Mas o maior entre todos esses nomes é Deus (Fp 2.9). Nele confiamos (Sl 86.2), no seu poder incalculável (Sl 145.11), na sua soberânia irreprensível (Rm 1.23) e no seu amor inestimável (Ef 2.4). 


CONCLUSÃO

Portanto, nestes momentos difíceis que estamos passando em nossas vidas, temos que ter a certeza que existe alguém que está no controle de tudo, que está olhando e lamentando tudo que acontece, e que está no cuidado de todos os detalhes, sustentando os Seus filhos, desafiando-os a seguir em frente com alegria no coração. Esse alguém é Deus. É Ele quem nos ama em todas as circunstâncias e adversidades humanas e Ele é nosso “Herói”. 

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A MULHER DE DEUS À LUZ DE PROVÉRBIOS

Seminarista Marcelo Seião
TEXTO BASE: Provérbios 31.10-31:

INTRODUÇÃO:

Em um primeiro momento, podemos pensar que este estudo é destinado somente às mulheres casadas, uma vez que Salomão traz uma reflexão sobre a aquelas que são o braço direito de seus maridos.

No entanto, propomos uma aplicação dupla com essa porção das Escrituras. Para as mulheres solteiras que desejam casar-se, perguntamos: vocês se encaixam nesse exemplo de mulher abençoada? E para os homens que buscam contrair o matrimônio, questionamos: vocês têm feito a escolha certa ou vocês têm caído nos laços da aparência? Ou seja, quais têm sido os seus critérios, as Letras sopradas pelo Espírito de Deus ou a fala doce e sedutora da sua carne e do mundo?

É importante saber que a mulher virtuosa retratada nesse bocado da Palavra de Deus evidencia recursos financeiros e empreendimentos que nem todas dispõem. Porém, podemos aplicar facilmente os princípios ali elucidados, visto que em uma simples leitura do texto observamos e concluímos que ela tem responsabilidades, seu proceder é sábio e, principalmente, o fundamento sólido de sua vida está alicerçado no temor do Senhor.

Essencialmente, ela é uma mulher de Deus – piedosa e devotada, comprometida com Deus, com sua família e com o próximo. Ou seja, usando a linguagem de Provérbios, ela é sábia, porque teme ao Senhor e faz o que é reto. Sua vida de trabalho e empreendimento, sua bondade e generosidade nada mais são do que as conseqüências que advém desse temor ao Senhor.

Vamos, então, estudar um pouco sobre as características desta mulher.

1 – QUAL É O VALOR DA MULHER VIRTUOSA?
10 Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor muito excede o de finas jóias.

2 – POR QUE ELA É VALOROZA?

2.1 – Pode-se confiar na mulher virtuosa:
11 O coração do seu marido confia nela, e não haverá falta de ganho.

2.2 – Ela faz o bem:
12 Ela lhe faz bem e não mal, todos os dias da sua vida.

3 – COMO A MULHER VIRTUOSA PRATICA O BEM TODOS OS DIAS?

3.1 – Não mede esforços para suprir a família:
13 Busca lã e linho e de bom grado trabalha com as mãos.
14 É como o navio mercante: de longe traz o seu pão.
15 É ainda noite, e já se levanta, e dá mantimento à sua casa e a tarefa às suas servas.
21 No tocante à sua casa, não teme a neve, pois todos andam vestidos de lã escarlate.
27 Atende ao bom andamento da sua casa e não come o pão da preguiça.

3.2 – A mulher virtuosa é empreendedora:
16 Examina uma propriedade e adquire-a; planta uma vinha com as rendas do seu trabalho.
17 Cinge os lombos de força e fortalece os braços.
18 Ela percebe que o seu ganho é bom; a sua lâmpada não se apaga de noite.
19 Estende as mãos ao fuso, mãos que pegam na roca.
24 Ela faz roupas de linho fino, e vende-as, e dá cintas aos mercadores.

3.3 – A mulher virtuosa é generosa:
20 Abre a mão ao aflito; e ainda a estende ao necessitado.

3.4 – A mulher virtuosa é cuidadosa consigo mesmo:

3.4.1 – Por fora:
22 Faz para si cobertas, veste-se de linho fino e de púrpura.

3.4.2 – Por Dentro:
25 A força e a dignidade são os seus vestidos, e, quanto ao dia de amanhã, não tem preocupações.

3.4.3 – E com suas palavras:
26 Fala com sabedoria, e a instrução da bondade está na sua língua.

3.5 – A mulher virtuosa traz prestígio para o seu marido:
23 Seu marido é estimado entre os juízes, quando se assenta com os anciãos da terra.

3.6 – A mulher virtuosa é elogiada por sua família:
28 Levantam-se seus filhos e lhe chamam ditosa; seu marido a louva, dizendo:
29 Muitas mulheres procedem virtuosamente, mas tu a todas sobrepujas.
31 Dai-lhe do fruto das suas mãos, e de público a louvarão as suas obras.

4 – CONSELHO AOS QUE BUSCAM POR UMA MULHER VIRTUOSA:
30 Enganosa é a graça, e vã, a formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa será louvada.


CONCLUSÃO APLICATIVA

O que aprendemos com esse simples estudo é que a mulher virtuosa é confiável, generosa, altruísta e responsável. Ela é uma pessoa preocupada com a vida financeira de seu marido; ela faz bons investimentos e os não desperdiça; ela é empreendedora e, também, trabalhadora. Além disso, aprendemos em Provérbios 14.01 que “A mulher sábia edifica a sua casa, mas a insensata, com as próprias mãos, a derriba”.

Então, surge a pergunta para os rapazes: como identificar uma “futura esposa virtuosa”? É simples! Observe bem como ela se relaciona com:

1. O dinheiro: ela está sempre endividada? Gasta tudo o que ganha e um pouco mais? Ela exige dos pais presentes que eles não podem dar? Tem mania de grandeza? Ou ela é responsável, equilibrada e econômica com o seu dinheiro? Ela é generosa? Ou seja, se necessário, ela tem prazer em ajudar os pais que estão em algum tipo de aperto?

2. A família: como ela é em casa? Irritada? Estressada? Grita? Provérbios 21.19 afirma que “Melhor é morar no canto do eirado do que junto com a mulher rixosa na mesma casa”. Ela é motivo de honra para os seus pais ou só dá dor de cabeça? Em Provérbios 11.16 somos informados de que “A mulher graciosa alcança honra, como os poderosos adquirem riqueza”.

Uma dica: veja também como ela trata os pais, pois é desse mesmo jeitinho que ela vai te tratar, ou meigo ou amargo.

3. O trabalho: ela trabalha, tem profissão, sabe o que quer da vida? Ajuda sua mãe nos afazeres de casa ou ela é a famosa sanguessuga?

Uma dica: quem não sabe ainda aonde quer chegar, a última coisa que se deve pensar é em namorar e casar!

4. Os outros: ela é generosa e bondosa com os outros? Ela é confiável? O que as pessoas falam sobre ela, coisas boas ou ruins?

5. Ela mesma: ela dá mais valor à beleza externa ou à interna? Isso não quer dizer que ela tem que ser desleixada, mas, sim, discreta e, principalmente, espiritual. Provérbios 11. 22: “Como jóia de ouro em focinho de porco, assim é a mulher formosa que não tem discrição”.

Para finalizar, meninas, vocês se encaixam nesse padrão de mulher de Deus? Meninos, vocês buscam uma mulher de caráter ou apenas um pedaço de carne? Lembrem-se do conselho de Salomão: “Enganosa é a graça, e vã, a formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa será louvada”.

sábado, 7 de agosto de 2010

ORAÇÃO

Seminarista Patrícia Carvalho.

“Os crentes não oram com a intenção de informar a Deus a respeito das coisas que Ele desconheça, ou para incitá-lo a cumprir o seu dever, ou para apressá-lo, como se Ele fosse relutante. Pelo contrário, eles oram para que assim possam despertar-se e buscá-lo, e assim exercitem sua fé na meditação das suas promessas, e aliviem suas ansiedades, deixando-as nas mãos dele; numa palavra, oram com o fim de declarar que sua esperança e expectativa das coisas boas, para eles mesmos e para os outros, está só nEle”.
João Calvino – Calvin’s Commentaries, v.1, p. 314.

Desde pequena, aprendi com meus pais que orar é falar com Deus – conversar com o “Papai do Céu”. Conforme cresci, aprendi que orar é muito mais que apenas falar com Deus; é se relacionar com Ele de forma constante e profunda. Quando oro, conheço a Deus.

A Palavra de Deus, a Bíblia, está repleta de orações dos mais diversos temas (arrependimento, súplica, gratidão, adoração...), feitas por pessoas diferentes (Ana, Moisés, Jacó, Salomão, Neemias, os discípulos...) e em épocas distintas.

A oração que eu mais gosto de ler na Bíblia e que acho mais bonita é a oração do próprio Senhor Jesus, em João 17. Ele orou por mim e por você, antes mesmo que existíssemos. Jesus orou ao Pai para que Ele nos protegesse do mal, nos santificasse na Palavra e para que onde Ele estiver nós também estejamos.

Jesus mantinha uma comunhão com o Pai e diversas vezes podemos observar na Palavra que Ele tinha uma vida de contínua oração (Mateus 11.25-27; Mateus 26.36-46; Lucas 6.12).

“Todavia, as notícias a respeito dele se espalhavam ainda mais, de forma que multidões vinham para ouvi-lo e para serem curadas de suas doenças. Mas Jesus retirava-se para lugares solitários e orava.” Lucas 5.15-16.

Em Filipenses 4:6, Paulo nos orienta: “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças.”

Quando eu oro a Deus, tiro os olhos das circunstâncias e me concentro nAquele que é Senhor de tudo e de todos – concentro-me no Deus que tem o controle de todas as coisas em Suas poderosas mãos (Salmos 46.10).

Conforme Salmos 62.8 “Derramai o vosso coração”, posso derramar meu coração diante do Pai que a tudo vê e a todos ouve.

Incentivo você a se relacionar com o Pai, a orar a Deus, conversar, dialogar com o Senhor do Universo (2 Tessalonicenses 5.17).

Ele entende a sua dor, seus anseios e seus medos. Ele te perdoa (1João1.9), te redime, limpa, transforma, conforta, te anima, encoraja e te dá paz (Filipenses 4.7; Isaías 64.4; Salmos 37.5; Salmos 40.1; Salmos 16.7;Salmos 34.4 e 15; Salmos 57.2 e 3; Salmos 86; Mateus 6.25-34; Mateus 7.7-13; Mateus 11.28-30; Mateus 19.13-15; Marcos 11.20-26; Lucas 11. 5-8; Efésios 6.18; Colossenses 4.2).

Talvez você fique em dúvida quanto ao que deve orar. Os discípulos também ficaram em dúvida e Jesus os ajudou, ensinadno-os a orar (Mateus 6.5-15). Quando não souber o que dizer para Deus, peça ao Espírito Santo para te ajudar, pois o mesmo “intercede por nós com gemidos inexprimíveis”.

“Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos.” Romanos 8.26-27.

"A oração em si mesma é uma arte que somente o Espírito Santo pode nos ensinar. Ele é o doador de todas as orações. Rogue pela oração - ore até que consiga orar, ore para ser ajudado a orar e não abandone a oração porque não consegue orar, pois nos momentos em que você acha que não pode, é que realmente está fazendo as melhores orações. Às vezes, quando você não sente nenhum tipo de conforto em tuas súplicas e teu coração está quebrantado e abatido, é que realmente está lutando e prevalecendo com o Altíssimo.”
C.H. Spurgeon.

“Entretanto, Deus me tem ouvido e me tem atendido a voz da oração. Bendito seja Deus que não me rejeita a oração, nem aparta de mim a sua graça.” Salmos 66.19-20.

Oração:
“Senhor, obrigado porque o Senhor nos ouve. Podemos confiar em Ti e no Teu eterno amor.Ensina-nos a orar como convém e quando não soubermos orar,ajuda-nos a lembrarmos que o Teu Santo Espírito intercede por nós. Que o Teu poder se aperfeiçoe em nossa fraqueza!

Em nome de Jesus oramos. Amém!

quinta-feira, 29 de julho de 2010

O AMIGO À LUZ DE PROVÉRBIOS

Seminarista Marcelo Seião

INTRODUÇÃO

Todos nós temos alguém que chamamos de “amigo”, ou de “melhor amigo”. Temos, em algum nível, um conceito estabelecido sobre o que é uma verdadeira amizade. Há um Poema de Vinícius de Morais que diz:

“Eu poderia suportar embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos. Alguns deles eu não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me faz seguir em frente pela vida, mas é delicioso que eles saibam e sintam que eu os amo, embora não declare e nem os procure sempre”.

Em nossa cultura, também, o que não falta são ditos populares sobre a amizade:
"Amigo irado, inimigo dobrado."
"Amigo a gente escolhe, parente a gente atura."
"O amigo certo se conhece nas horas incertas."
"Um amigo na necessidade é um amigo de verdade."
"Mais vale um amigo na praça que dinheiro em caixa."
"Cem amigos é pouco, um inimigo é muito."
"Um amigo falso é um inimigo secreto."
"Dos amigos me guarde Deus, que dos inimigos me guardarei eu."
"Só se confia num amigo depois de comer com ele um quilo de sal."
"De amigo reconciliado, guarda-te dele como do diabo."
"Quem é amigo de todos, não o é de ninguém."
"No aperto e no perigo é que se conhece o amigo."
"Amigo do meu amigo é meu amigo, amigo do meu inimigo é meu inimigo e inimigo do meu inimigo é meu amigo."
"Um amigo velho é o mais fiel dos espelhos."
"Mais prejudicial é o amigo fingido que o inimigo descoberto."
"Quando o amigo não é certo, um olho fechado e outro aberto."
"Com um amigo desses, ninguém precisa de inimigo."
"Mais vale um cachorro amigo do que um amigo cachorro."
"Amigo que pede, inimigo que devolve."
"Quem avisa, amigo é."
"Conselho de amigo, aviso do céu."

Como podemos ver, muitos ditados acima são frutos de bons e maus relacionamentos entre pessoas. O livro de Provérbios, por sua vez, nos apresenta várias máximas sobre essa temática. Além disso, encontramos em toda a Escritura Sagrada relatos de grandes homens e mulheres de Deus que experimentaram boas amizades: José e seu irmão Benjamim, Calebe e Josué, Rute e Noemi, Davi e Jônatas, Isabel e Maria, Paulo e Silas, Paulo e Timóteo, Paulo e Lucas, Paulo e Epafrodito, Jesus e os três discípulos mais chegados (Pedro, João e Tiago), etc.

O Novo Testamento afirma que fomos comprados por preço (1Coríntios 6.20), purificados com água limpa (Efésios 5.26) e selados com o Espírito Santo (2Coríntios 1.22), a fim de vivermos em novidade de vida (Romanos 6.4), unidos em um só corpo cuja cabeça é Cristo (Efésios 4.15-16). Dessa forma, inexoravelmente, a maneira como nos relacionamos com os outros também será afetada drasticamente – transformada, mudada. Pois não é sem razão que os Escritos Neotestamentários falam tanto sobre como preservar a unidade do corpo no convívio mútuo. Assim sendo, vemos que esse assunto tem a sua razão de ser!

Contudo, se pensarmos que a Bíblia apenas nos mostrará algum tipo de amizade a receber, estamos enganados! Em verdade, ela nos conclama a oferecer aos outros o padrão divino de amizade. Padrão, esse, descrito e delineado pela inspiração do Santo Espírito (2Timóteo 3.16). Nessa questão, o livro da Sabedoria nos oferece muitas instruções.

Então, ao término desse estudo dentro de Provérbios e em sua ampliação no Novo Testamento, teremos que responder a seguinte pergunta: tenho sido um bom amigo?


1 – DEFINIÇÃO E USO DA PALAVRA AMIGO NO HEBRAICO:

Amigo na Língua Portuguesa significa: 1 Que tem gosto por alguma coisa; apreciador. 2 Aliado, concorde. 3 Caro, complacente, dileto, favorável. 4 Dedicado, afeiçoado. sm 1 Indivíduo unido a outro por amizade; pessoa que quer bem a outra. 2 Colega, companheiro. 3 Amador. 4 Amante, amásio. 5 Defensor, protetor. 6 Partidário, simpatizante. 7 Aliado.

No Hebraico, o termo “amigo” (רע (rea) ou ריע (reya) pode ser entendido como “vizinho”, “colega” e “companheiro”. Em um extremo, significa meramente “a outra pessoa”; no outro, representa “alguém com quem temos estreita comunhão”.

Além disso, essa palavra é utilizada para falar do “o outro ou oponente num processo jurídico” – ou numa disputa. (Pv 18:17). Em outro contexto, aquele que “ama em todo tempo” (Pv 17:17) e como “o próximo”, aquele que deve ser o alvo do nosso amor (Lv. 19.18).

O termo mais forte para amigo é אלוף (’alluwph) adjetivo que significa: 1) manso, dócil. 2) amigo, íntimo. 3) chefe. Podendo ser encontrados nos seguintes trechos de Provérbios: 2.17/ 16.28/ 17.9.


2 - POR QUE O LIVRO DE PROVÉRBIOS FALA SOBRE AMIZADE?

2.1 – Porque Deus fez o homem para se relacionar:
Gênesis 2.18: “Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea”.

2.2 – Porque Deus criou homem e a mulher para se multiplicarem:
Gênesis 1.28: "E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra".

Gênesis 9.1 e 7: “Abençoou Deus a Noé e a seus filhos e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra”. “Mas sede fecundos e multiplicai-vos; povoai a terra e multiplicai-vos nela”.

2.3 – Porque com a multiplicação do homem sobre a terra, Deus estabeleceu regras de relacionamento para o povo que chamou para si:

Levítico 19.10-18: “Não rebuscarás a tua vinha, nem colherás os bagos caídos da tua vinha; deixá-los-ás ao pobre e ao estrangeiro. Eu sou o SENHOR, vosso Deus. 11 Não furtareis, nem mentireis, nem usareis de falsidade cada um com o seu próximo; 12 nem jurareis falso pelo meu nome, pois profanaríeis o nome do vosso Deus. Eu sou o SENHOR. 13 Não oprimirás o teu próximo, nem o roubarás; a paga do jornaleiro não ficará contigo até pela manhã. 14 Não amaldiçoarás o surdo, nem porás tropeço diante do cego; mas temerás o teu Deus. Eu sou o SENHOR. 15 Não farás injustiça no juízo, nem favorecendo o pobre, nem comprazendo ao grande; com justiça julgarás o teu próximo. 16 Não andarás como mexeriqueiro entre o teu povo; não atentarás contra a vida do teu próximo. Eu sou o SENHOR. 17 Não aborrecerás teu irmão no teu íntimo; mas repreenderás o teu próximo e, por causa dele, não levarás sobre ti pecado. 18 Não te vingarás, nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o SENHOR”.

Observação: os versos 13, 16 e 18, nos quais vemos a palavra “próximo”, no original é o vocábulo רע rea ̀ ou ריע. (Veja a definição da palavra no ponto 1).

2.4 – Porque na história do Pai de Salomão, o relacionamento entre Davi e Jônatas ilustra muito bem os propósitos de Deus na amizade:

1 Samuel 18.1-5: “Sucedeu que, acabando Davi de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a de Davi; e Jônatas o amou como à sua própria alma. Saul, naquele dia, o tomou e não lhe permitiu que tornasse para casa de seu pai. Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à sua própria alma. Despojou-se Jônatas da capa que vestia e a deu a Davi, como também a armadura, inclusive a espada, o arco e o cinto. Saía Davi aonde quer que Saul o enviava e se conduzia com prudência; de modo que Saul o pôs sobre tropas do seu exército, e era ele benquisto de todo o povo e até dos próprios servos de Saul”.

2.3.1 - Exemplos da Amizade entre Davi e Jônatas:

a) Quando Saul tentou matar Davi, foi Jônatas quem protegeu o seu amigo: 1 Samuel 20.
b) Jônatas fortaleceu a fé de Davi: 1 Samuel 23.15-18.
c) Davi lamentou amargamente a morte deste amigo excepcional: 2 Samuel 1:17-27.
d) Depois da morte de Jônatas, Davi mostrou bondade para com seu filho aleijado, Mefibosete: 2 Samuel 9.

De acordo com John Stott, “a amizade humana é uma provisão amorosa de Deus”. (STOTT, John. A Mensagem de Segunda Timóteo. 2ª Ed. São Paulo: ABU, 2001. P.115).

2.4 – Porque Davi também experimentou as conseqüências de suas atitudes desleais para com o seu companheiro Urias.

Ler: 2 Samuel 11-12.

Observação: conforme a Lei, “Se alguém furtar boi ou ovelha e o abater ou vender, por um boi pagará cinco bois, e quatro ovelhas por uma ovelha”. (Êxodo 22.1). Davi, por sua vez, ao orquestrar a morte de Urias e tomar sua esposa, sofreu as seguintes consequências:
a) Morte do primeiro filho com Bate-Seba: 2Sm 12.14-18.
b) Morte de Amnon: 2 Sm 13.28-29.
c) Morte de Absalão: 2 Sm 18. 14-15.
d) Morte de Adonias: 1 Rs 2.24-25.

2.5 – Porque Davi sofreu com a amizade falsa de Jonadabe como o seu filho Amnon:

Ler: 2 Samuel 13.3-36.


3 – O QUE É PRECISO PARA SE TORNAR UM BOM AMIGO À LUZ DE PROVÉRBIOS?

3.1 – Amor:
Provérbios 17.17: “Em todo tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão”.
Segundo Derick Kidner, o sentido é que, na hora das dificuldades, vê-se a razão de ser dos laços familiares, e percebe-se quem são os amigos.

3.2 – Ser uma pessoa justa:
Provérbios 12.26: "O justo serve de guia para o seu companheiro, mas o caminho dos perversos os faz errar"

3.3 – Ser uma pessoa sábia:
Provérbios 13.20: "Quem anda com os sábios será sábio, mas o companheiro dos insensatos se tornará mau".

3.4 – Ser uma pessoa que traz conforto:
Provérbios 15.30: “O olhar de amigo alegra ao coração; as boas-novas fortalecem até os ossos”.

3.5 – Constância:
Provérbios 27.10: “Não abandones o teu amigo, nem o amigo de teu pai, nem entres na casa de teu irmão no dia da tua adversidade. Mais vale o vizinho perto do que o irmão longe”.

3.6 – Franqueza:
Provérbios 27. 5 – 6: “Melhor é a repreensão franca do que o amor encoberto. Leais são as feridas feitas pelo que ama, porém os beijos de quem odeia são enganosos”.

3.7 – Conselho:
Provérbios 27.9: “Como o óleo e o perfume alegram o coração, assim, o amigo encontra doçura no conselho cordial”.

Provérbios 27.17: “Como o ferro com o ferro se afia, assim, o homem, ao seu amigo”.


4 – QUAIS SÃO OS CUIDADOS QUE TEMOS QUE TER PARA MANTER VIVA E ACESA A CHAMA DA AMIZADE?

4.1 – Não ser frequente na casa do irmão ou forçá-lo a ficar na sua companhia:
Provérbios 27.16-17: “Achaste mel? Come apenas o que te basta, para que não te fartes dele e venhas a vomitá-lo. Não sejas freqüente na casa do teu próximo, para que não se enfade de ti e te aborreça”.

4.2 – Evitar o fofoqueiro:
Provérbios 16.28: “O homem perverso espalha contendas, e o difamador separa os maiores amigos”.
Desordeiros – Espalha: lit. “semeia”. É, apropriadamente, a palavra que se emprega a respeito do ato de soltar as raposas em chamas no meio do trigo dos filisteus, Juízes 15:5. Cf.17:9.

4.3 – Discrição:
Provérbios 17.9: “O que encobre a transgressão adquire amor, mas o que traz o assunto à baila separa os maiores amigos”.
Traz o assunto à baila, lit. “repete”, o que pode significar espalhar mexericos ou sempre lançar o assunto em rosto –“jogar na cara”. Maiores amigos: trata-se de uma só palavra em hebraico que significa um companheiro íntimo.


5 – ATITUDES COMUNS EM UMA AMIZADE FALSA:

5.1 – Amizade por interesse:
Provérbios 14.20-21: “O pobre é odiado até do vizinho, mas o rico tem muitos amigos. O que despreza ao seu vizinho peca, mas o que se compadece dos pobres é feliz”.

Provérbios 19.4: “As riquezas multiplicam os amigos; mas, ao pobre, o seu próprio amigo o deixa”.

Provérbios 19.6: “Ao generoso, muitos o adulam, e todos são amigos do que dá presentes”.

Provérbios 19.7: “Se os irmãos do pobre o aborrecem, quanto mais se afastarão dele os seus amigos! Corre após eles com súplicas, mas não os alcança”.

5.2 – Não queira ser amigo de todo mundo:
Provérbios 18.24: “O homem que tem muitos amigos sai perdendo; mas há amigo mais chegado do que um irmão”.

5.3 - Induzir o outro a pecar contra Deus:
Provérbios 1.10-16: "Filho meu, se os pecadores querem seduzir-te, não o consintas. Se disserem: Vem conosco, embosquemo-nos para derramar sangue, espreitemos, ainda que sem motivo, os inocentes; traguemo-los vivos, como o abismo, e inteiros, como os que descem à cova; acharemos toda sorte de bens preciosos, encheremos de despojos a nossa casa; lança a tua sorte entre nós; teremos uma só bolsa. Filho meu, não te ponhas a caminho com eles; guarda das suas veredas os pés; porque os seus pés correm para o mal e se apressam a derramar sangue".


6 – AS MESMAS DIRETRIZES DE PROVÉRBIOS SÃO ENCONTRADAS E AMPLIADAS NO NOVO TESTAMENTO:

6.1 – Definição da palavra próximo no Grego é semelhante à Hebraica:

A palavra “próximo” no Novo Testamento é πλησιον (plesion), que significa: 1) vizinho. 1a) amigo. 1b) qualquer outra pessoa, onde duas estão envolvidas, o outro (teu companheiro, teu vizinho), de acordo com os judeus, qualquer membro da nação e comunidade hebraica. 1c) de acordo com Cristo, qualquer outra pessoa, não importa de que nação ou religião, com quem se vive ou com quem se encontra.

6.2 – Devemos amar o próximo:
Mateus 5.43-48: “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos. Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o mesmo? Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste".

6.3 – Devemos ter atitudes coerentes com a nossa fé nos relacionamentos:
Efésios 4.25-28: “Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros. Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, nem deis lugar ao diabo. Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado”.

6.4 – Não estabelecer relacionamentos eclesiásticos por interesse:
Tiago 2. 1-13: “Meus irmãos, não tenhais a fé em nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas. Se, portanto, entrar na vossa sinagoga algum homem com anéis de ouro nos dedos, em trajos de luxo, e entrar também algum pobre andrajoso, e tratardes com deferência o que tem os trajos de luxo e lhe disserdes: Tu, assenta-te aqui em lugar de honra; e disserdes ao pobre: Tu, fica ali em pé ou assenta-te aqui abaixo do estrado dos meus pés, não fizestes distinção entre vós mesmos e não vos tornastes juízes tomados de perversos pensamentos? Ouvi, meus amados irmãos. Não escolheu Deus os que para o mundo são pobres, para serem ricos em fé e herdeiros do reino que ele prometeu aos que o amam? Entretanto, vós outros menosprezastes o pobre. Não são os ricos que vos oprimem e não são eles que vos arrastam para tribunais? Não são eles os que blasfemam o bom nome que sobre vós foi invocado? Se vós, contudo, observais a lei régia segundo a Escritura: Amarás o teu próximo como a ti mesmo, fazeis bem; se, todavia, fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo argüidos pela lei como transgressores. Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos. Porquanto, aquele que disse: Não adulterarás. também ordenou: Não matarás. Ora, se não adulteras, porém matas, vens a ser transgressor da lei. Falai de tal maneira e de tal maneira procedei como aqueles que hão de ser julgados pela lei da liberdade. Porque o juízo é sem misericórdia para com aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o juízo”.


CONCLUSÃO

Diante das definições e usos do vocábulo “amigo”, aprendemos que todos aqueles que estão envolvidos em nosso convívio, quer diretamente, quer indiretamente, íntimos ou não, devem ser tratados da mesma forma. Ele é o nosso o próximo.

ogo, devemos fazer as seguintes reflexões:

1) Você é um amigo Bíblico? Você oferece uma amizade sincera a gregos e troianos, ricos e pobres, brancos e negros?

2) Você tem sido uma provisão amorosa de Deus na vida dos outros?

3) Você cuida das suas amizades? Evita comentários desnecessários, fofocas, mexericos?

4) Você é moderado e discreto como amigo? Evita estar na casa do amigo toda hora?

segunda-feira, 19 de julho de 2010

O PODER DAS PALAVRAS À LUZ DE PROVÉRBIOS

Seminarista Marcelo Seião

INTRODUÇÃO

Uma vez na Faculdade, o professor iniciou a aula com a seguinte frase: “tudo acontece dentro do campo das palavras”. Imediatamente, minha mente começou a viajar sobre essa máxima – foi como um abrir de uma comporta, uma inundação.

Então, alguns episódios Bíblicos de pronto encheram a minha cabeça. No Início, Deus criou o mundo pronunciando palavras: “Disse Deus: Haja luz; e houve luz” (Gn 1.3). Deus deu as suas primeiras orientações a Adão e Eva utilizando palavras: “E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. (Gn 2. 16-17).

Satanás, por sua vez, enganou o mesmo casal com o uso de palavras: “... É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?... Então, a serpente disse à mulher: É certo que não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal”. (Gn 3.1-5).

Tão importante é o seu uso que crenças são formadas e estabelecidas com palavras. Ensinos são transmitidos por meio de palavras. A fé vem pelo ouvir a pregação (Rm 10.17), que se constitui, basicamente, de palavras.

Em Provérbios, apredemos que das sete abominações nele alistadas (6.16-19), três são exemplos do emprego malicioso, maldoso e pernicioso das palavras: “língua mentirosa, testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos”.

O Livro da Sabedoria deixa claro que as palavras podem ser usadas para destruir e, também, para construir. Elas podem ferir gravimente, mas também podem curar (Pv 12.18). Elas podem te animar como desanimar – tudo depende da intenção de quem a usa. Ou seja, a maneira como eu uso as palavras revela que tipo de pessoa eu sou: sábia ou insensata, piedosa ou ímpia, prudente ou imprudente.

Uma vez que o propósito do Livro é conduzir o seu leitor pelas vias da sabedoria, o bom uso das palavras não poderia ficar de fora. Vejamos o que Provérbios tem a nos dizer hoje!


1 - O QUE AS PALAVRAS SÃO CAPAZES DE FAZER:

1.1 – Fortalecer o corpo e a alma:
Pv. 15.30: “O olhar de amigo alegra ao coração; as boas-novas fortalecem até os ossos”.

Pv. 16.24: “Palavras agradáveis são como favo de mel: doces para a alma e medicina para o corpo”.


1.2 – Ferir gravemente:
Pv. 12.18: “Alguém há cuja tagarelice é como pontas de espada, mas a língua dos sábios é medicina”.

Observação: “tagarelice contém a idéia de precipitação, de deixar escapar palavras. No Hebraico, o falar irrefletidamente em Sl 106.33 é a mesma palavra que temos aqui, e representa a explosão de raiva de Moisés. Moffart ressalta bem o contraste da segunda linha: “mas há poder curador em palavras bem pensadas”. (KIDNER, Derek. Provérbios. Introduçãoe Comentário. São Paulo: Vida Nova. 2006. p. 94).


2 – A MANEIRA DE USAR AS PALAVRAS REVELA QUEM É O SEU USUÁRIO:

2.1 – Provérbios 10.18-21:

Insensato:
(vs 18) “O que retém o ódio é de lábios falsos, e o que difama é insensato”.

Prudente:
(vs 19) “No muito falar não falta transgressão, mas o que modera os lábios é prudente”.

Justo:
(Vs 20-21) “Prata escolhida é a língua do justo, mas o coração dos perversos vale mui pouco. Os lábios do justo apascentam a muitos, mas, por falta de senso, morrem os tolos”.


2.2 – Pv. 11.9-11:

Ímpio:
(Vs. 9 - 10) “O ímpio, com a boca, destrói o próximo, mas os justos são libertados pelo conhecimento. No bem-estar dos justos exulta a cidade, e, perecendo os perversos, há júbilo”.

Observação: o ímpio nessa passagem significa “hipócrita, profano, sem religião”.

Perverso:
(Vs. 11) “Pela bênção que os retos suscitam, a cidade se exalta, mas pela boca dos perversos é derribada”.

O Insensato e o Prudente:
(Vs. 12) “O que despreza o próximo é falto de senso, mas o homem prudente, este se cala”.

Mexeriqueiro e o fiel:
(Vs 13) “O mexeriqueiro descobre o segredo, mas o fiel de espírito o encobre”.


3. COMO USAR AS PALAVRAS?

3.1 – Muitas vezes é prudente se calar:
Pv. 10.19:
“No muito falar não falta transgressão, mas o que modera os lábios é prudente”.

Pv. 11.12:
“O que despreza o próximo é falto de senso, mas o homem prudente, este se cala”.

Pv. 13.3:
“O que guarda a boca conserva a sua alma, mas o que muito abre os lábios a si mesmo se arruína”.

Pv. 17.27 - 28:
“Quem retém as palavras possui o conhecimento, e o sereno de espírito é homem de inteligência. Até o estulto, quando se cala, é tido por sábio, e o que cerra os lábios, por sábio”.


3.2 – Pensar antes de responder:
Pv. 15.28:
“O coração do justo medita o que há de responder, mas a boca dos perversos transborda maldades”.

3.3 – Existe a hora e a forma certa de falar:
Pv. 25.11-15:
“Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo. Como pendentes e jóias de ouro puro, assim é o sábio repreensor para o ouvido atento. Como o frescor de neve no tempo da ceifa, assim é o mensageiro fiel para com os que o enviam, porque refrigera a alma dos seus senhores. Como nuvens e ventos que não trazem chuva, assim é o homem que se gaba de dádivas que não fez. A longanimidade persuade o príncipe, e a língua branda esmaga ossos”.


4. QUAL É A IMPORTÂNCIA DAS PALAVRAS NO NOVO TESTAMENTO?

4.1 – Nos Ensinos de Jesus:

4.1.1 – As palavras trazem justificação ou condenação:

Mateus 12.33-37:
“Ou fazei a árvore boa e o seu fruto bom ou a árvore má e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore. Raça de víboras, como podeis falar coisas boas, sendo maus? Porque a boca fala do que está cheio o coração. O homem bom tira do tesouro bom coisas boas; mas o homem mau do mau tesouro tira coisas más. Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo; porque, pelas tuas palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras, serás condenado”.

William MacDonald diz que “Jesus solenemente os avisou (e a nós também) de que as pessoas darão conta por cada palavra frívola que pronunciarem. Porque as palavras que as pessoas pronunciam são uma medida padrão de sua vida, elas formarão uma base para a condenação ou absolvição. Quão grande será a condenação para os fariseus pelas palavras vis e desdenhosas que falaram contra o Santo Filho de Deus!”. (MACDONALD, William. Comentário Bíblico Popular Versículo por Versículo – Novo Testamento. São Paulo: Mundo Cristão, 2007. p. 52).

4.1.2 – As palavras contaminam o homem:

Mateus 15.10-20:
“E, tendo convocado a multidão, lhes disse: Ouvi e entendei: não é o que entra pela boca o que contamina o homem, mas o que sai da boca, isto, sim, contamina o homem. [...] Jesus, porém, disse: Também vós não entendeis ainda? Não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce para o ventre e, depois, é lançado em lugar escuso? Mas o que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem. Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias. São estas as coisas que contaminam o homem; mas o comer sem lavar as mãos não o contamina”.

William MacDonald comenta: “Os fariseus e escribas eram extremamente cuidadosos acerca da observância ostentosa e escrupulosa das cerimônias de lavar as mãos. Mas sua vida íntima negligenciaram os assuntos de maior importância. Eles podiam criticar a falha dos discípulos no guardar as tradições não inspiradas, e ainda assim planejavam matar o Filho de Deus. Além disso, eram culpados da lista inteira de pecados registrados no versículo 19”. (MACDONALD, William. Comentário Bíblico Popular Versículo por Versículo – Novo Testamento. São Paulo: Mundo Cristão, 2007. p. 63.)

4.2 – No Ensino dos Apóstolos:

4.2.1 – No Ensino de Paulo:

Colossenses 3.17:
“E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”.

William MacDonald expõe o seguinte: “Hoje em dia, os jovens têm grande dificuldade para distinguir o certo e o errado, mas se conseguirem decorar esse versículo terão uma chave para resolver seus problemas. O grande teste nesse caso é: posso fazer isso em nome do Senhor Jesus? Isso contribuirá para a glória de Cristo?”. (MACDONALD, William. Comentário Bíblico Popular Versículo por Versículo – Novo Testamento. São Paulo: Mundo Cristão, 2007. p. 703).

4.2.2: No Ensino de Tiago:

Tiago 3.2-12:
“Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão, capaz de refrear também todo o corpo”. [...] “Com ela, bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma só boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não é conveniente que estas coisas sejam assim. Acaso, pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargoso? Acaso, meus irmãos, pode a figueira produzir azeitonas ou a videira, figos? Tampouco fonte de água salgada pode dar água doce”.

William MacDonald faz o seguinte apontamento: “Assim como os médicos de antigamente examinavam a língua para conhecer estado de saúde do paciente, Tiago avalia a saúde espiritual da pessoa por meio de suas palavras. A primeira etapa do autodiagnóstico são os pecados da fala. Tiago concordaria com a pessoa espirituosa que disse: ‘cuide de sua língua. Ela fica num ambiente molhado, onde é mais fácil escorregar!”. (MACDONALD, William. Comentário Bíblico Popular Versículo por Versículo – Novo Testamento. São Paulo: Mundo Cristão, 2007. p. 890).


CONCLUSÃO

Como podemos facilmente notar, tanto Provérbios como o Novo Testamento nos conclama a fazer um hemograma espiritual, no qual nossas palavras passarão por um exame completo que detecta e diagnostica algumas infermidades espirituais – difamação, fofoca, falso testemunho, mentira, etc.

Esse exame só pode ser compreendido e interpretado pelo Médico dos médicos; só Ele é capaz de apontar as causas dos problemas de ordem espiritual e receitar vitaminas, remédios apropriados e dietas. Como por exemplo, parar de se alimentar dos quitutes do maldizente. (Pv 18.8).

Além disso, inexoravelemente esse hemograma espiritual vai nos nos mostrar o quanto somos insensatos ou sábios – convertidos ou não.

Questões para Reflexão:

1 – O que você descobriu sobre você mesmo?Você é insensato ou sábio? Fonte de água salgada ou doce?

2 – Suas palavras ferem mais do que curam ou destroem mais que constroem? Como você tem usado as palavras nas diferentes esferas de sua vida social? No trabalho, em casa, na escola ou faculdade e na Igreja? Suas palavras abençoam ou amaldiçoam?

3 – Talvez você não fala mal das pessoas, mas ama ouvir um mexerico. Você tem dado ouvidos às difamações, fofocas, disse-me-disse, etc.?



quarta-feira, 7 de julho de 2010

O PREGUIÇOSO E A SUA PREGUIÇA À LUZ DE PROVÉRBIOS

Seminarista Marcelo Seião

INTRODUÇÃO

O livro de Provérbios é um guia para aqueles que querem experimentar a vontade de Deus em diferentes situações e particularidades do dia-a-dia, funcionando como um tipo de comentário ampliado e aplicativo, ensinando-nos a ter atitudes coerentes com a Lei do Senhor.

Um dos temas encontrados nesse Livro Sagrado é o proceder do preguiçoso. As palavras hebraicas para preguiçoso e preguiça significam literalmente lerdeza e lentidão. Interessantemente, a Língua Portuguesa traz em seu bojo as mesmas significações “lentidão, vagar, preguiça”. Tendo, além disso, as seguintes definições: “s. f.1. Propensão para não trabalhar. = mandriice, ócio, vadiagem 2. Demora ou lentidão em agir. = vagar 3. Gosto de estar na cama, de se levantar tarde” .

Em Provérbios, o autor inspirado por Deus expõe uma tragicomédia do preguiçoso, como uma caricatura deforme e exagerada, mostrando-o atado a sua cama com dobradiças (Pv 26.14) e dando desculpas cheias de preposterações. (Pv 22.13).

Como sabemos, descansar não é pecado, visto que a Lei do Senhor prevê um dia para isso: “Seis dias farás a tua obra, mas, ao sétimo dia, descansarás; para que descanse o teu boi e o teu jumento; e para que tome alento o filho da tua serva e o forasteiro". (Êxodo 23.12).

Porém, Provérbios confronta o preguiçoso que quer descansar mais que o devido e trabalhar menos que o necessário, perguntado-lhe: “até quando ficarás deitado? Quando te levantarás do teu sono?”. (Pv. 6.9).

Ora, Salomão sabia muito bem aonde a preguiça poderia conduzir um homem: em direção a pecados ainda mais graves, como no caso de seu pai, que NUMA TARDE LEVANTOU-SE “do seu leito e andava passeando no terraço da casa real; daí viu uma mulher que estava tomando banho; era ela mui formosa. Davi mandou perguntar quem era. Disseram-lhe: É Bate-Seba, filha de Eliã e mulher de Urias, o heteu. Então, enviou Davi mensageiros que a trouxessem; ela veio, e ele se deitou com ela. Tendo-se ela purificado da sua imundícia, voltou para sua casa. A mulher concebeu e mandou dizer a Davi: Estou grávida”. (2 Samuel 11. 1-5).

Provérbios, então, leva-nos a ponderar o seguinte: será que nos encaixamos no protótipo do preguiçoso? Nossas atitudes revelam quem somos! Assim, ao sermos confrontados com o texto que revela a vontade do Senhor, ele nos conclama a MUDANÇA e aponta as futuras consequências: benção ou maldição.


1 - O QUE O PREGUIÇOSO PENSA DE SI MESMO?

1.1 – O preguiçoso é sábio aos seus próprios olhos:
“Mais sábio é o preguiçoso a seus próprios olhos do que sete homens que sabem responder bem”. (Pv. 26.16)


2 - COMO O PREGUIÇOSO ENCARA OS DESAFIOS DA VIDA?

2.1 – Para o preguiçoso tudo é difícil na vida:
“O caminho do preguiçoso é como que cercado de espinhos, mas a vereda dos retos é plana”. (Pv. 15:19).

2.2 – Para o preguiçoso sempre há uma boa desculpa na ponta da língua:
“Diz o preguiçoso: Um leão está lá fora; serei morto no meio das ruas”. (Pv. 22.13 e 26:13).

2.3 – Para o preguiçoso qualquer coisa serve de pretexto para não fazer o que se deve:
“Preguiçoso não lavra por causa do inverno, pelo que, na sega, procura e nada encontra”. (Pv. 20.30).


3 - QUAIS SÃO AS ATITUDES DO DIA-A-DIA DO PREGUIÇOSO?

3.1 – O preguiçoso não quer ter trabalho em nada:
“O preguiçoso mete a mão no prato e não quer ter o trabalho de a levar à boca”. (Pv. 19.24 e Pv. 26.15).

3.2 – O preguiçoso não corre atrás:
“O preguiçoso não assará a sua caça, mas o bem precioso do homem é ser ele diligente”. (Pv. 12.27).

3.3 – O preguiçoso ama o conforto da sua cama:
“Como a porta se revolve nos seus gonzos, assim, o preguiçoso, no seu leito”. (Pv. 26.14). NTLH diz: “O preguiçoso vira de um lado para outro na cama. Ele é como uma porta que gira nas dobradiças, mas, de fato, não sai do lugar”.

3.4 – O preguiçoso é uma tormenta para o seu senhor:
“Como vinagre para os dentes e fumaça para os olhos, assim é o preguiçoso para aqueles que o mandam”. (Pv. 10.26). NTHL afirma: “Nunca mande um preguiçoso fazer alguma coisa; ele será tão irritante como vinagre nos dentes ou fumaça nos olhos”.


4 - O QUE O PREGUIÇOSO FAZ PARA CONCRETIZAR SEUS DESEJOS?

4.1 – O preguiçoso tem sonhos e/ou desejos:
“O preguiçoso deseja e nada tem, mas a alma dos diligentes se farta”. (Pv. 13.4)

4.2 – O preguiçoso deseja, mas não luta para conquistar:
“O preguiçoso morre desejando, porque as suas mãos recusam trabalhar”. (Pv. 21.25).


5 - QUE CONSELHO PROVÉRBIOS TRAZ PARA O PREGUIÇOSO?

5.1 - Convida o preguiçoso a “ter com a formiga”:
“Vai ter com a formiga, ó preguiçoso,...”. (Pv 6.6 –A)

5.2 - A considerar “os seus caminhos”:
“... considera os seus caminhos...”. (Pv 6.6 –B)

5.3 - A ser “sábio”:
“... e sê sábio...”. (Pv 6.6 –C)


CONCLUSÃO

Diz o ditado popular: “mente vazia, oficina do Diabo”.

A lição que aprendemos com o próprio autor do livro é: se o preguiçoso não mudar de atitude, ele passará grandes e terríveis privações. (Pv. 24.30-34). Por essa razão, ele é questionado pelo autor: “até quando ficarás deitado? Quando te levantarás do teu sono?” (Pv. 6.9).

Além disso, ele o convida a aprender a lição com a formiga, mudar de atitude e, assim, se tornar verdadeiramente um homem sábio.

PERGUNTE-SE:

1. Você é um daqueles que vive sonhando, mas não traça planos, metas e alvos para alcançar o que se deseja?

2. Você deseja ter tudo de “mão beijada” sem ter que se sacrificar? Tem sonhado em ganhar na Mega Sena – dinheiro fácil?

3. Você tem protelado seus afazeres? Ou seja, você sempre deixa suas coisas para fazer amanhã? Como por exemplo: trabalhos escolares, sermões, projetos, apresentações e memorandos do trabalho para a última hora.

4. Você tem sempre uma boa desculpa para não fazer o que se deve?

5. Você sempre pára no primeiro obstáculo? Ou pior, só de pensar nos obstáculos, nem tenta?

Caso suas respostas sejam mais positivas do que negativas, cuidado! A preguiça está à porta!